MPPR

11/01/2017 16:40

Preocupação com doenças causadas pelo Aedes aegypti aumenta no verão

dengueCom o verão, aumenta a preocupação das autoridades sanitárias com as doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti: dengue, zika e chikungunya. No Paraná, segundo dados do período epidemiológico 2015-2016, encerrado em julho, o mosquito vetor estava presente em 313 dos 399 municípios do estado (78% do total), sendo computados, entre agosto de 2015 e julho de 2016, 15 mil casos suspeitos de dengue. Entre os municípios em que a presença do mosquito foi confirmada, 90 viveram situação de epidemia de dengue e 61 de alerta.

“Essas condições são definidas pela taxa de incidência de casos. Havendo de 100 a 300 casos a cada 100 mil habitantes, o município é considerado em situação de alerta. Se forem mais de 300 casos, a situação é de epidemia”, explica o tecnólogo em Gestão Pública e especialista em Diagnóstico em Saúde Raul Bely, funcionário do Ministério da Saúde cedido à Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) para fazer o acompanhamento dos casos de dengue no Paraná.

No atual período epidemiológico (que vai de agosto de 2016 a julho de 2017), até a primeira semana de janeiro, foram notificados 9.817 casos com suspeita de dengue no Paraná, com 326 confirmações (sendo a maior incidência nas regiões Norte e Noroeste). Não há ainda, neste período, cidades paranaenses em situação de epidemia ou de alerta, embora se tenha constatado circulação viral controlada (abaixo de 100 casos por 100 mil habitantes) em 57 municípios – quadro que tende a se agravar no decorrer do verão.

Zika e chikungunya – No que diz respeito às outras doenças (zika e chikungunya), o número de casos é menor. No período epidemiológico que se encerrou, foram 2.798 casos suspeitos de chikungunya, com 72 confirmados (sendo 64 “importados” – ou seja, cuja contaminação ocorreu fora do Paraná – e oito autóctones, de pessoas infectadas na própria cidade). Quanto ao vírus zika, foram contabilizados 4.080 casos suspeitos, sendo 334 confirmados (227 autóctones e 107 importados).

Até a primeira semana de janeiro, dentro do atual ciclo epidemiológico, foram registradas 236 suspeitas de chikungunya, com cinco confirmações (quatro casos importados e um autóctone, este em Mercedes, na região de Toledo), e 283 suspeitas de zika, com uma confirmação em Paranaguá. O processo de confirmação ou descarte da suspeita dura 60 dias. No Paraná, até a primeira semana deste mês, houve um caso de bebê nascido com microcefalia causada pelo vírus da zika.

Efeitos nocivos – De acordo com Bely, os três vírus são extremamente nocivos. A chikungunya, por exemplo, é uma doença altamente incapacitante. “A pessoa tem uma dor abdominal muito forte, febre alta, e pode ficar até 12 meses incapacitada para trabalhar”, explica. Embora afirme ser difícil avaliar qual das três doenças tem maior peso em termos de saúde pública, ele afirma que mesmo em termos econômicos uma epidemia dessas doenças tem grande peso. Um paciente confirmado de dengue custa 1,5 mil dólares para a sociedade, considerando-se os dias de trabalho perdidos e o custo de assistência de saúde, entre outros. Além disso, ressalta Bely, há casos de morte causadas por esses vírus, perda imensurável em todos os sentidos.
dengue
No caso do zika, há ainda a preocupação com a microcefalia em bebês de gestantes que tenham a doença. No Paraná, todas as gestantes são acompanhadas e, quando têm o vírus, há também o monitoramento do bebê nos dois primeiros anos de vida, para avaliação dos possíveis efeitos da doença sobre a criança, mesmo quando não há microcefalia.

Risco de epidemia – Em termos nacionais, os números da dengue continuam sendo muito maiores, seguidos de longe pelos casos de zika e, por último, de chikungunya. Entretanto, alerta Bely, esse quadro pode mudar a cada ciclo. Por razões ainda não explicadas, há uma espécie de “concorrência” dos vírus no organismo do mosquito: nas regiões onde há maior incidência de dengue, os outros vírus tendem a diminuir, ocorrendo também o contrário – por exemplo, onde a incidência de zika é grande, cai o número de casos da dengue. Para qualquer das três enfermidades, no entanto, o número de casos no Paraná é baixo em comparação com o resto do país, especialmente o Nordeste. Mas, dada a grande incidência do mosquito nos municípios paranaenses, há riscos concretos de situações epidêmicas no verão.

Prevenção – Para atacar o mal, o principal caminho continua sendo a prevenção, especialmente no que diz respeito à eliminação dos criadouros do Aedes aegypti. Bely cita um dado muito importante surgido da ação dos agentes de saúde no estado: 70% dos locais onde são encontrados focos do mosquito estão nas residências. Ou seja, o criadouro está dentro da casa do possível infectado. Acabar com esses focos, explica o especialista, significa afastar o mosquito dos centros urbanos, o que certamente faria diminuir muito a incidência dos vírus.

Ante a ameaça de epidemia – seja de dengue, zika ou chikungunya –, que pode trazer prejuízos sociais e econômicos, além da irreparável perda de vidas, a melhor solução, conforme consenso das autoridades de saúde em todo o mundo, continua sendo o combate aos focos de mosquito, ou seja, eliminar os locais de acúmulo de água parada. Isso está ao alcance do cidadão comum, que precisa cuidar do seu próprio quintal, em sua própria casa, para não transformá-la numa ameaça à saúde coletiva (veja, abaixo, um quadro com algumas dicas práticas).

Dever de todos
– A promotora de Justiça Andreia Cristina Bagatin, que atua no Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Proteção à Saúde Pública, acrescenta que, diante do risco de epidemia, combater os focos do mosquito é dever de todos. “É preciso ser rigoroso ao ‘fazer a lição de casa’, estando sempre atento aos locais em que o mosquito pode se desenvolver. Já foram detectadas larvas do mosquito até em água parada em tampinha de garrafa pet. Por isso, é preciso ser muito criterioso, pensar não só no vaso da planta ou no lixo maior, mas em todos os locais em que pode haver acúmulo de água”, adverte.

dengueSobre as possíveis punições para pessoas que negligenciam o combate aos criadouros de Aedes em suas propriedades, a promotora explica que cada município tem legislação específica a respeito e o ato ou omissão pode configurar infração sanitária. As condições para tal caracterização variam conforme a legislação de cada município, mas muitos já têm normas que permitem a aplicação de multas e, naqueles em que não há norma específica, é possível sustentar que a conduta implica infração conforme o Código Sanitário do Paraná. Caso as ordens das autoridades sanitárias destinadas à eliminação dos criadouros não sejam observadas, o Ministério Público ainda pode denunciar quem mantém essa conduta por crime contra a saúde pública, nos termos do artigo 268 do Código Penal. Andreia Bagatin conta que já houve casos de responsabilização penal por esse motivo, com condenação dos responsáveis.

Responsabilidade – Na esfera pública, a principal responsabilidade na batalha contra o vetor dos vírus da dengue, do zika e do chikungunya é dos municípios, que têm a obrigação de manter equipes de agentes de combate a endemias. O papel dos agentes é orientar a população e fiscalizar o cumprimento das Diretrizes Nacionais de Combate à Dengue. Todo município deve ter agentes de combate a endemias contratados e exercendo efetivamente a função. Segundo as Diretrizes Nacionais, é preciso contratar um agente para cada 800 a 1 mil imóveis. Embora o município seja o contratante, há repasses de verbas das esferas estadual e federal para custeio – portanto, nada justifica a ausência dos agentes.

Em termos econômicos, o investimento público na prevenção é muito mais eficaz do que o dispêndio com o tratamento. “Depois de instalada a doença, o tratamento não é simples. Gasta-se muito mais depois que a doença está instalada do que com a prevenção. Além disso, qualquer morte causada por dengue é evitável, desde que a prevenção seja feita adequadamente”, defende a promotora de Justiça.

MP no Rádio – O programa "MP no Rádio", produzido pelo Ministério Público do Paraná em parceria com a Associação das Empresas de Radiodifusão do Paraná (Aerp), entrevistou a promotora de Justiça Andreia Cristina Bagatin sobre a ameaça de epidemia das doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. O programa pode ser acessado aqui.



MEDIDAS DE PREVENÇÃO CONTRA A PROLIFERAÇÃO DO MOSQUITO

A Secretaria Estadual da Saúde do Paraná sugere algumas medidas preventivas importantes para evitar a reprodução do Aedes aegypti. O principal cuidado deve ser evitar o acúmulo de água em qualquer local. Confira as dicas:
1) Mantenha bem tampados: caixas, tonéis e barris de água.
2) Coloque o lixo em sacos plásticos e deixe a lixeira sempre bem fechada.
3) Não jogue lixo em terrenos baldios.
4) Se for guardar garrafas de vidro ou plástico, mantenha sempre a boca do frasco para baixo.
5) Não deixe a água da chuva acumulada sobre a laje.
6) Encha os pratinhos ou vasos de plantas com areia até a borda.
8) Se for guardar pneus velhos em casa, retire toda a água e mantenha-os em locais cobertos, protegidos da chuva.
9) Limpe as calhas com frequência, evitando que galhos e folhas possam impedir a passagem da água.
10) Lave com frequência, usando água e sabão, os recipientes utilizados para guardar água, pelo menos uma vez por semana.
11) Os vasos de plantas aquáticas devem ser lavados com água e sabão, toda semana. É importante trocar a água desses vasos com frequência.

Além dessas medidas úteis para acabar com os criadouros, para manter os mosquitos longe e evitar ser picado por eles, recomenda-se o uso de repelente.


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